porta-retrato

sim, aquela era a melhor lembrança que trazia dele, um sorriso exposto sobre a estante empoeirada da sala. era um troféu do fracasso de sua mãe de mantê-la protegida de seus amantes, depois que o pai foi embora. nada flutuava quando os três dividiram por meses aquele maldito quarto e sala. o sorriso era denso, quase sem falhas, não fosse aquela pequena ruga dissimulada que erguia-se no canto esquerdo da boca. tentou fugir, mas ele descobriu o novo endereço e não deveria ter voltado a importuná-la. foi aquele rosto que a esfaqueara, aquele mesmo corpo que ela fez questão de alvejar por duas vezes, sem nenhuma piedade.



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