o disco dos símios

o vinil está sujo, a agulha vai e volta no mesmo ponto, mas ninguém desliga a vitrola. uma varejeira sobrevoa as sobras do nosso jantar, talvez o último. uma mosca consegue nos desprender da uniformidade da cena. é verde e voa rápido demais. não temos mais o que falar, só ficou a indiferença e o desprezo. Carlos num único e certeiro golpe a derruba e tudo volta ao normal. no vigésimo sexto capítulo, o relógio parou e está estático como o retrato dos três macacos. o cego insiste em ouvir, o surdo insiste em falar e o mudo cansou-se de tudo.




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